Curitiba, cidade conhecida pelos ônibus, busca melhorar o trânsito para pessoas com deficiência

Image for post
Image for post
O serviço de micro-ônibus Acesso de Curitiba é um salva-vidas para pessoas com deficiências. A cidade está trabalhando em um sistema de roteamento dinâmico que orientará os ônibus para trajetos otimizados, a fim de atender a 20% a mais de passageiros.

Por Juan Paullier

Na última de nossas séries de verão com os vencedores e finalistas latino-americanos do Desafio dos Prefeitos de 2016, a Bloomberg Cities visita Curitiba, Brasil, e seu trabalho para usar dados para melhorar a opção de trânsito inclusivo da cidade, Acesso.

Click here to read in English.

Metrópole brasileira que inventou o transporte rápido por ônibus em 1974, Curitiba está em vias de apresentar outra inovação destinada a acelerar o deslocamento de moradores pela cidade.

Desta vez, o esforço está concentrado em passageiros com deficiência, principal grupo de usuários de um serviço jáexistente chamado Acesso, em que micro-ônibus buscam passageiros em casa.

Cerca de 1.500 viagens são feitas a cada mês, mas não raro os veículos ficam presos em congestionamentos, transformando rápidas consultas médicas em compromissos que duram o dia todo. Por meio de uma tecnologia emergente chamada roteamento dinâmico, que aumenta a eficiência dos ônibus identificando o trajeto mais direto possível, a cidade espera aumentar a produtividade do Acesso em mais de 20%. O objetivo é oferecer mais de 1.850 corridas por mês até o final deste ano, sem expandir a frota atual de nove ônibus.

[Get the latest innovation news from Bloomberg Cities! Subscribe to SPARK.]

Na posição de finalista do Mayors Challenge2016, organizado pela Bloomberg Philanthropies, Curitiba atualmente está testando a tecnologia embutida na plataforma “Trânsito Orientado à Inclusão”, e espera lançá-la em outubro. As autoridades municipais não têm dúvidas de que um serviço de melhor qualidade beneficiará em muito os 350.000 habitantes curitibanos com necessidades especiais, muitos dos quais não têm condições de acessar o sistema de transporte tradicional.

“Eu volto para casa entristecida, sabendo que muita gente liga para o Acesso mas não consegue usar”, disse Denise Moraes, coordenadora da Assessoria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, cuja missão é ajudar pessoas com deficiência a exercer plenamente sua cidadania. “Ao mesmo tempo, há ônibus que ficam vazios porque o sistema não está organizado de modo eficiente. É isso que nos motiva a dar o próximo passo”.

Mesmo quem consegue usar o serviço de transporte especial muitas vezes perde horas fazendo viagens que deveriam consumir uma fração do tempo. Dalia Cabrera, por exemplo, cujo marido sofreu um derrame depois de um acidente de carro, disse que ambos chegam a passar oito horas por dia indo e voltando de consultas médicas. O Acesso é literalmente um salva-vidas para o casal.“Se não fosse pelo transporte, eu teria perdido Alberto”, disse Dalia. Ainda assim, ela gostaria que os deslocamentos diários fossem mais rápidos e que a espera pelo ônibus não fosse tão longa.

É exatamente esse desempenho que as autoridades de Curitiba esperam do Acesso após a implementação da plataforma. Um sistema de agendamento e roteamento, que hoje é organizado manualmente, e por cada motorista, será substituído por um algoritmo que determina as rotas mais rápidas e mais convenientes. O município está desenvolvendo a tecnologia internamente e planeja implantar uma pequena central de atendimento para consolidar os pedidos de agendamento.

O processo também deverá fornecerá aprendizados valiosos para outras cidades que desejam migrar para o roteamento dinâmico. E contribuirá, sem dúvida, para que serviços fundamentais, com potencial de mudar a vida das pessoas, como o Acesso, alcancem ainda mais usuários, como Maria Elena Antunes Rodriguez e sua filha Jianni, que tem 22 anos e é cadeirante. “Para mim, é difícil deslocá-la com a cadeira. Não tenho força. Então não saíamos de casa”, disse Rodriguez. “Tudo mudou com o Acesso. Foi a melhor coisa que nos aconteceu”.

Juan Paullier é jornalista freelancer uruguaio. Trabalhou para a BBC por quase uma década como correspondente no México, América Central, Venezuela e também nos escritórios de Londres e Miami.

Leia mais histórias desta série:

Celebrating public sector progress and innovation in cities around the world. Run by @BloombergDotOrg’s Government Innovation program. bloombergcities.org

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store